Nas Presidenciais de 2026, o meu voto será tudo menos livre.
Não porque alguém nos retire o direito de votar — mas porque nos vão empurrar para um canto onde a escolha deixa de ser escolha.
Vamos, quase de certeza, a uma segunda volta.
E nessa, para quem sente Portugal — não como slogan, mas como identidade viva — restará apenas um caminho possível. Não por convicção plena, mas por exclusão moral.
Do outro lado estará algo que não é Portugal.
Será uma cópia pobre, ruidosa e importada de uma América que, sob a atual presidência, já pouco representa democracia, e ainda menos respeita aquilo que considero a maior magia do ser humano: a unicidade.
A diferença.
A dignidade individual.
O direito de existir sem ser moldado pelo medo.
Se esse candidato vier a ser eleito, será — para mim — uma das maiores vergonhas democráticas da nossa história recente. Um atentado silencioso àquilo que somos enquanto povo plural, aberto, imperfeito, mas humano.
E não, infelizmente, isso não é um risco remoto.
É uma probabilidade real — sobretudo se os cansados (e têm razões para estar cansados) desistirem de votar.
Por isso digo, sem rodeios: o meu voto não será livre.
Nessa segunda volta, votarei no “mofo”.
Não por convicção. Não por ilusão.
Mas porque votar no outro seria legitimar algo que não respeita o Ser Humano.
Falamos de um candidato que se esconde atrás de frases feitas, cuidadosamente afinadas para dizer ao trabalhador aquilo que ele quer ouvir — enquanto as ações, passadas e prometidas, apontam exatamente no sentido oposto.
Só acredita quem escolhe não ver. Quem tapa os olhos ao percurso, às alianças, ao discurso disfarçado de calmo e de simplicidade.
Portugal nunca precisou tanto dos Portugueses.
De todos os Portugueses.
Dos que nasceram cá e dos que escolheram esta terra como casa.
Dos que discordam, dos que questionam, dos que não se revêm em partidos.
Dos que ainda acreditam em valores.
Na primeira volta, porque é disso que Portugal precisa, votarei num candidato que sei estar genuinamente interessado em promover uma nova forma de fazer e de estar na política:
– sem amarras exteriores,
– com verdade,
– em prol dos cidadãos.
Essa mudança é possível sem violar a Carta dos Direitos Humanos, sem retirar o direito de se ser, sem esmagar a diferença, sem desequilibrar ainda mais uma balança já profundamente injusta.
É fácil — e até sedutor — falar de combate à corrupção.
Mas esse discurso torna-se anedótico quando sai da boca de alguém corrupto, financiado por corruptos e seguido por quem se beneficia da corrupção, da justiça branda e lenta (para os que mais “têm”).
A diferença entre palavras e valores revela-se aí.
E Portugal já pagou caro demais por confundir uma coisa com a outra.
O ideal seria evitar que a segunda volta fosse um duelo entre o mais do mesmo e a negação da identidade.
Entre o “mofo” e um Portugal de braços fechados.
Mas não acredito que consigamos evitar esse cenário.
Por isso, deixo apenas isto — sem moralismos, sem superioridade:
Por amor a Portugal, não dês oportunidade a algo que não representa valores humanos.
Vota. Mesmo cansado. Mesmo desiludido.
Porque há momentos em que não votar não é neutralidade — é permissão.
E esta é uma dessas vezes.

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