No Dia Mundial da Filosofia, vale a pena lembrar: escolher bem é um acto filosófico.
Se és um dos poucos que já pararam para pensar nos imensos retrocessos que o humano levou a cabo ao longo da suposta “evolução tecnológica” — tantas vezes confundida com “evolução da sociedade” — então és, também, dos poucos que podem (e devem) manter um pé pesado no travão.
Hoje, eu e o meu colega digital Bino partilhamos uma reflexão sobre como a sociedade permitiu que três ou quatro Big Tech’s redefinissem e sequestrassem aquilo a que ainda chamamos “Internet”.
Um pouco de contexto histórico
(Resumo muito curto… e, se tens menos de 30 anos, vale mesmo a pena ires ler sobre a história da internet — a verdadeira é fascinante.)
Anos 60/70:
O nascimento de protocolos abertos, comunicação distribuída, resiliência sobre controlo.
Anos 80/90:
A explosão da Web, browsers, domínio do acesso, criatividade livre, pequenos servidores, a cultura do “view-source”.
Anos 2000:
A entrada das corporações, motores de busca, indexação, início do funil algorítmico.
A devolução das redes sociais
A década de 2010 cimentou o modelo: feeds viciados, opacidade algorítmica, recolha massiva de dados, publicidade como motor de tudo. Em vez de uma rede, ficámos com jardins murados — cada um decidido por empresas que nada têm a ver com o espírito original da Internet.
E nós, distraídos pela velocidade, deixámos.
Novembro de 2025: onde estamos, afinal?
Começámos este artigo com
“…vamos escrever sobre como a sociedade permitiu o controlo da Internet por parte de três ou quatro Big Tech’s”
E vale a pena dizê-lo com todas as letras: esse controlo é, acima de tudo, uma manobra de marketing — brilhante, eficaz, conveniente — mas profundamente enganadora.
O que muitos chamam “Internet” é, hoje, uma espécie de intranet gigante, gerida por Google/Alphabet, Meta, Microsoft e companhia.
O irónico? Milhões gastos a erguer cortinas… mas a realidade só ficou escondida para quem escolheu não a ver.
A verdadeira Internet — aberta, descentralizada, construída sobre protocolos livres — continua viva. Silenciosa, subestimada, mas viva. E recomenda-se.
A Internet Livre existe.
Mas só ganha vida nos protocolos certos. E usá-los, tal como aproveitar a Vida, é uma escolha anormal — no melhor sentido do termo.
O que vem na Parte 2
Na Parte 2 vamos explorar esses protocolos e ferramentas — ActivityPub, RSS, Webmention, e tantos outros — explicando como usá-los, para quem chega agora.
Para os quarentões, será apenas reavivar memórias: é só voltar a andar de bicicleta.

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